Cringe – Uma disputa geracional nas redes sociais

Um tweet da publicitária e estudante de psicologia Carol Rocha, a @tchulim, no fim da manhã de 17 de junho foi o pontapé inicial da nova polêmica da internet brasileira: a disputa geracional entre os millenials (nascidos entre 1981 e 1995) e a geração Z (nascidos entre 1996 e 2010). Coisas como reclamar de boletos, idolatrar Friends e Harry Potter, tomar café da manhã, preferir cerveja de litrão, vestir calça skinny e usar sapatilha de bico redondo são considerados pelos jovens um mico. Ou melhor: é cringe.

Sozinho, o tweet de Tchulim teve 53,3 mil interações, pouco abaixo das 61,5 mil interações obtidas por 591 matérias em português que tinham o termo cringe no título até o fim da tarde desta quarta (07). Uma amostra de que, por mais que a imprensa se esforce, são as redes sociais que atualmente ditam as questões de comportamento. No Instagram, o post que mencionou o assunto e teve mais interações (315,1 mil) foi publicado pela conta de humor @soueunavida. No Facebook, o maior número foi alcançado por brincadeira do Ponto Frio, com 48,3 mil.

Falando em redes sociais, será que há diferenças no uso delas entre os mais jovens? Dados de maio de 2021 divulgados pelo site NapoleonCat mostram que, de fato, há uma mudança em curso, com faixa de 13 a 17 anos representando apenas 5,8% dos 106,5 milhões de usuários do Instagram no Brasil, valor 0,1% a menor que o público entre 55 a 64, que já abrange os “Baby Boomers”. Para efeito de comparação, segundo estimativa do IBGE, a população entre 10 e 19 anos no país em 2021 corresponde a 14,2% da população.

Outro dado curioso é a maior proporção de jovens mulheres no TikTok, a rede social queiridinha da geração Z. Lá, segundo levantamento o HyperAuditor, meninas de 13 a 17 anos etária são 31,1% de todo o público, contra apenas 9,6% dos meninos. Entre 18 e 24 anos, a diferença entre gêneros cai um pouco, mas ainda é grande: 25,7% x 8,9%. Em tempo: na rede social chinesa, somente 24,7% dos usuários brasileiros nasceram há 25 anos ou mais.

BITES – Dados para decisões