Robôs e o Twitter

Robôs e o Twitter

Na conta oficial da sua área de comunicação, o Twitter publicou ontem, dia 05, uma sequência de posts que reproduzimos a seguir sobre o debate da existência de robôs impulsionando mensagens de grupos de opinião no Brasil.

Há 14 anos, BITES trabalha com mapeamento da opinião pública digital e parte do nosso êxito acontece porque sempre procuramos fugir do viés de confirmação em nossas análises e sempre acreditamos que a realidade não pode ser negada.

Foi assim, que em abril de 2018, já tínhamos condições de afirmar, mesmo contra uma corrente de opinião clássica de interpretação dos fatos, que o então candidato Jair Bolsonaro iria para o segundo turno com um nome do PT.

Essas análises constantes sobre robôs no Twitter trazem a sensação da busca recorrente pela negação da existência de 30% de brasileiros que pensam como o presidente Jair Bolsonaro, como mostram os institutos de pesquisa. Em dezembro de 2015, a taxa de aprovação da ex-presidente Dilma Rousseff chegou a 9%. Análise não é torcida organizada.

Além disso se podemos medir os tweets a favor do presidente por que não medir os contrários para descobrir também a existência de robôs? Se é fácil para um, é fácil para todos.

Na BITES, adotamos outro método para acompanhar o Twitter, uma das dezenas de fontes de informação que trabalhamos. Isolamos as hashtags positivas e negativas porque essas expressões funcionam com aglutinadores de aliados e críticos de marcas ou agentes políticos. Em seguida identificamos quantas vezes cada hashtag foi utilizada para atacar ou defender. Verificamos também quantos perfis únicos estão associados em cada conjunto de hashtags.

Desde o dia 15 de março, por exemplo, já sabemos que há mais gente falando contra o presidente Bolsonaro. Em média, quem publica contra faz dois posts no Twitter e quem fala a favor 4,7. Há que aposte que os robôs são mais ativos, mas o que mais importa para nós é a qualidade do perfil. Se uma mensagem não gerar aderência em perfis verdadeiros, ela não irá se propagar por melhor que seja o robô.

Como já foi citado, o Twitter é apenas uma das fontes de BITES. Mapeamos a Internet em busca de sinais fracos e fortes. Buscamos saber, como escreveu o filósofo Slavoj Zizek, “o que acontece quando nada acontece.” Analisamos dezenas de dimensões digitais e consideramos um erro quem aposta na desidratação de Bolsonaro. É a oposição que está crescendo, mas de maneira desorganizada e sem um líder.

O Post do Twitter @TwitterComms

Temos visto matérias baseadas em pesquisa sobre a suposta presença massiva de robôs em conversas específicas no Twitter no Brasil. A respeito deste tema, gostaríamos de esclarecer que (segue o fio):

Aplicativos e pesquisas de terceiros que se valem de nossa API para tentar adivinhar se contas são robôs têm se mostrado metodologicamente falhos porque só acessam sinais externos das contas;

Essas informações são muito limitadas em relação àquelas de que o Twitter dispõe para determinar se uma conta é ou não uma automação indevida, o que pode levar a falsos positivos.

Inferências como essa não levam em conta as medidas defensivas do Twitter para garantir que o conteúdo automatizado não influencie as conversas na plataforma, uma vez que essas iniciativas não são refletidas em tempo real na base de dados utilizada por terceiros para pesquisa.

O Twitter conduziu uma investigação interna sobre as conclusões da pesquisa e não encontrou manipulação coordenada generalizada, mas seguirá acompanhando de perto essas conversas na plataforma.

BITES – DADOS PARA DECISÕES