Quem é o candidato perfeito?

Quem é o candidato perfeito?

Por Ana Luiza Agostineto Tetzlaff | Gerente de Inteligência de Branding

Unilever anunciou recentemente que passará a utilizar Inteligência Artificial e reconhecimento facial para analisar candidatos a novas posições na companhia.

A multinacional será a primeira a empregar a nova tecnologia que deverá aferir movimentos da sobrancelha, aumento das pupilas, tensão nos lábios e sorriso. 

O desenvolvedor da inovação é a empresa americana Hirevue, que defende que seu sistema oferece “um indicador mais confiável de performance futura livre de viés humano”. No entanto, acadêmicos como a professora de computação humana da UCL Anna Cox disse que a tecnologia “vai favorecer pessoas que são boas em fazer entrevistas por vídeo e qualquer data-set terá viés, o que vai eliminar pessoas que teriam sido boas na função”. 

Há quase um ano, BITES publicou sobre isso em um dos temas do BITES Riscos Digitais 2019, análise anual que prevê os temas mais críticos que devem impactar o mundo no ano. No texto, a BITES falou dos riscos de viés nos algoritmos e como isso pode afetar de verdade a vida das pessoas.

Não se pode ignorar que a Inteligência Artificial é uma ferramenta construída e programada por humanos. Humanos que estão sujeitos a cometer erros e que têm suas próprias crenças e preconceitos. Tudo isso reflete em como as máquinas são construídas e mantidas.

Seria justo definir o destino de um candidato apenas pela avaliação de um algoritmo? Devemos abrir mão da avaliação humana e, principalmente, da empatia?

É claro que a tecnologia tem grande potencial de mudar positivamente a sociedade, mas deve ser usada com cautela como uma ferramenta para auxiliar a tomada de decisão feita por seres humanos.

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