Guerrilha Digital

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Criado em 2006 por Wladimir Palant, AdBlock é uma extensão grátis para navegadores que bloqueia anúncios indesejáveis ou que disseminam malware. Por tratar-se de um projeto open source – licenciamento livre para design ou esquematização de outros produtos –, já existem outras iniciativas com funcionalidades parecidas. A extensão permite que também sejam criadas listas pessoais de itens a serem bloqueados. Ou seja, é preocupação real para agências e anunciantes.

O Adblock Plus, versão gratuita e disponível nas lojas de aplicativos, registra 400 milhões de downloads. Estima-se que os usuários ativos deste tipo ferramenta sejam 100 milhões. Parece pouco, perto dos 3,2 bilhões de usuários de internet, mas trata-se de uma guerra comercial e ideológica em gestação.

No último ano, foram 19.413 menções em português no Twitter, parte delas de militantes políticos. Para esses internautas, em tempos de polarização acirrada, essa seria uma forma relevante de protesto.

Eles defenderam o uso do Adblock como uma maneira de boicotar anunciantes da imprensa classificada como “golpista”: “USE ADBLOCK… Seria uma tentativa de não financiar veículos considerados golpistas” (https://goo.gl/3mNLtF), defende uma das mensagens mais populares no período de análise. Esse tipo de argumento esteve em 6,4% das mensagens de uma amostra de 4.551 tweets.

Desta mesma amostragem, em 8,7% citavam o YouTube, criticando a exibição de anúncios cada vez mais longos antes dos vídeos (https://goo.gl/d7HnTn) ou enfatizando como a extensão é prejudicial para Youtubers que dependem da publicidade para se manter a produção de conteúdo (http://bit.ly/2jLBYtU).

A extensão vem levantando a ira de portais de notícias e também do Facebook. Alguns sites já estão utilizando uma função “Anti Blocker”, como o UOL, que ao detectar o uso da ferramenta pelo leitor, bloqueia o acesso às notícias (https://goo.gl/j1E5Sz).

Em resposta a esta recente prática, os desenvolvedores do AdBlocker criaram um “Anti AdBlocker Killer” para opor-se às investidas contra a ferramenta, declaradas principalmente pelo Facebook que tem se esforçado cada vez mais para exibir propagandas no feed de notícias (https://goo.gl/jYjczq).

Com o crescente uso dos “bloqueadores” de anúncios, o Google tomou a iniciativa de retirar do ar cerca de 1,7 milhão de peças publicitárias consideradas spam em 2016, como uma tentativa de moderar a publicidade digital intrusiva e de má qualidade.

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Enquanto os internautas discutem se o uso de bloqueadores é bom ou ruim, o AdBlock vai mudando ligeiramente de lado, como divulgou recentemente, e começa a oferecer sua “curadoria” de anúncios para parceiros comerciais, levando um percentual dos ganhos no processo (https://goo.gl/YXQuER).

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Em meio a esta guerra digital, os internautas ficam presos à miríade de informação que funciona como uma cortina de fumaça, impedindo-os de enxergar o que de fato acontece na rede. A questão que paira agora é saber como os anunciantes e agências se reinventarão para manter a relevância ou se cederão às exigências do AdBlock e se juntarão à lista de parceiros.

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