Publicado em 26.08.2009
O diretor da consultoria especializada em web 2.0 Bites, Manoel Fernandes, diz que nem as empresas, nem os políticos estão dando a devida atenção às redes sociais. Segundo ele, boa parte das 500 maiores empresas do País nem sequer têm um perfil no Orkut, ou usam blogs e desconhecem o Twitter. Fernandes conduziu recentemente uma pesquisa sobre o perfil digital de alguns políticos brasileiros. Percebeu, em geral, que os mandatários do Brasil na Câmara e no Senado não sabem o que são as ferramentas sociais da internet e temem a mobilização dos cidadãos. Unida via comunidades de relacionamento, essa massa de opinião coletiva tem feito cada vez mais pressão. Em entrevista ao repórter Jacques Waller, Fernandes fala sobre como as eleições do futuro serão influenciadas pela sociedade digital e como as empresas e consumidores podem usar a rede a seu favor.
JC – Quão atentas as empresas estão à web 2.0?
MANOEL FERNANDES – As empresas em geral não entendem como interagir com seus consumidores usando a web 2.0. Estamos num movimento para fazer com que elas usem essas ferramentas em seus negócios, porque os consumidores estão na rede. Conduzimos um estudo de penetração das 500 maiores empresas do Brasil na web 2.0. E a maioria não está nessas redes.
JC – Hoje, é obrigatório que uma empresa tenha presença nas redes sociais? FERNANDES – Uma empresa até tem o direito de não querer interagir com seus consumidores, preferindo não participar de redes sociais, não ter blogs nem uma conta no Twitter. Mas deve saber que seus usuários, seus consumidores estarão lá na internet falando deles. As empresas precisam entender que não estão mais sozinhos nesse processo.
JC – Como a relação de consumidores e empresas mudou com a web 2.0?
FERNANDES – Hoje, o consumidor compartilha seu problema e se comunica diretamente com as empresas. Antes, ele só tinha o call center, e muitas vezes ficava esperando horas até ser atendido. Já as empresas, podem estabelecer relações diretas com seus consumidores, bolar promoções ou até realizar vendas.
JC – Redes como o Twitter têm se mostrado uma grande ferramenta de mobilização social, como foi no caso das eleições iranianas e no movimento Fora Sarney. Como você vê o Twitter usado na política?
FERNANDES – O Twitter é o grande instrumento de mobilização política na internet. Mas ele está muito ligado ao que o noticiário tradicional divulga. Se sai uma matéria forte nos meios de comunicação, há uma repercussão grande na rede social. Por exemplo, quando algum político faz um discurso inflamado no Senado, os usuários do Twitter comentam com muita força. Para se ter uma ideia, a maior audiência dessa rede também acontece durante os horários dos telejornais.
JC – Os políticos brasileiros estão atentos ao uso político das redes sociais?
FERNANDES – Os políticos estão muito preocupados com esse movimento. Nunca houve tanta gente os criticando em conjunto. Antes, os eleitores não tinham como reclamar diretamente. Só mesmo se encontrassem seus representantes na rua, ou em época de campanha. Agora, as pessoas se mobilizam online e criam uma força de opinião. Mesmo os políticos mais tradicionais, mais velhos, estão preocupados. JC – Esses políticos entendem o que está acontecendo na web 2.0?
FERNANDES – Eles percebem que há algo diferente. Percebem que estão falando deles. Mas não entendem como é que funciona. Se alguém perguntar a um político o que é o Twitter, ele não vai saber responder. Mas sabe que há algo novo emitindo opiniões sobre ele. E está muito assustado com isso.
JC – Como as redes sociais devem afetar o processo político nos próximos anos?
FERNANDES – Imagine como vai ser a formação de opinião em 2014, com todas essas redes sociais e jovens votantes acostumados com a cultura digital. O impacto será desestruturador para o modelo político em vigência. A classe política que sucederá a atual estará muito mais exposta ao eleitor. Já há políticos hoje tentando se adaptar a essa nova dinâmica.
JC – Como movimentos sociais podem se apropriar das ferramentas sociais e torná-las um veículo para suas reivindicações?
FERNANDES – Os movimentos sociais ainda engatinham nas redes da web. Em Pernambuco, o Sindsaúde usou o Twitter para divulgar o resultado de sua última assembleia. Quer dizer, em breve, nem será preciso marcar uma assembleia. Bastará marcar pelo Twitter e fazer a votação também pela rede de microblogs. Também é possível organizar passeatas e outras manifestações. Mas é algo que os movimentos ainda estão descobrindo. Na verdade, todos ainda tentam entender como as redes funcionam. Todos estão na mesma.
O diretor da consultoria especializada em web 2.0 Bites, Manoel Fernandes, diz que nem as empresas, nem os políticos estão dando a devida atenção às redes sociais. Segundo ele, boa parte das 500 maiores empresas do País nem sequer têm um perfil no Orkut, ou usam blogs e desconhecem o Twitter. Fernandes conduziu recentemente uma pesquisa sobre o perfil digital de alguns políticos brasileiros. Percebeu, em geral, que os mandatários do Brasil na Câmara e no Senado não sabem o que são as ferramentas sociais da internet e temem a mobilização dos cidadãos. Unida via comunidades de relacionamento, essa massa de opinião coletiva tem feito cada vez mais pressão. Em entrevista ao repórter Jacques Waller, Fernandes fala sobre como as eleições do futuro serão influenciadas pela sociedade digital e como as empresas e consumidores podem usar a rede a seu favor.
JC – Quão atentas as empresas estão à web 2.0?
MANOEL FERNANDES – As empresas em geral não entendem como interagir com seus consumidores usando a web 2.0. Estamos num movimento para fazer com que elas usem essas ferramentas em seus negócios, porque os consumidores estão na rede. Conduzimos um estudo de penetração das 500 maiores empresas do Brasil na web 2.0. E a maioria não está nessas redes.
JC – Hoje, é obrigatório que uma empresa tenha presença nas redes sociais? FERNANDES – Uma empresa até tem o direito de não querer interagir com seus consumidores, preferindo não participar de redes sociais, não ter blogs nem uma conta no Twitter. Mas deve saber que seus usuários, seus consumidores estarão lá na internet falando deles. As empresas precisam entender que não estão mais sozinhos nesse processo.
JC – Como a relação de consumidores e empresas mudou com a web 2.0?
FERNANDES – Hoje, o consumidor compartilha seu problema e se comunica diretamente com as empresas. Antes, ele só tinha o call center, e muitas vezes ficava esperando horas até ser atendido. Já as empresas, podem estabelecer relações diretas com seus consumidores, bolar promoções ou até realizar vendas.
JC – Redes como o Twitter têm se mostrado uma grande ferramenta de mobilização social, como foi no caso das eleições iranianas e no movimento Fora Sarney. Como você vê o Twitter usado na política?
FERNANDES – O Twitter é o grande instrumento de mobilização política na internet. Mas ele está muito ligado ao que o noticiário tradicional divulga. Se sai uma matéria forte nos meios de comunicação, há uma repercussão grande na rede social. Por exemplo, quando algum político faz um discurso inflamado no Senado, os usuários do Twitter comentam com muita força. Para se ter uma ideia, a maior audiência dessa rede também acontece durante os horários dos telejornais.
JC – Os políticos brasileiros estão atentos ao uso político das redes sociais?
FERNANDES – Os políticos estão muito preocupados com esse movimento. Nunca houve tanta gente os criticando em conjunto. Antes, os eleitores não tinham como reclamar diretamente. Só mesmo se encontrassem seus representantes na rua, ou em época de campanha. Agora, as pessoas se mobilizam online e criam uma força de opinião. Mesmo os políticos mais tradicionais, mais velhos, estão preocupados. JC – Esses políticos entendem o que está acontecendo na web 2.0?
FERNANDES – Eles percebem que há algo diferente. Percebem que estão falando deles. Mas não entendem como é que funciona. Se alguém perguntar a um político o que é o Twitter, ele não vai saber responder. Mas sabe que há algo novo emitindo opiniões sobre ele. E está muito assustado com isso.
JC – Como as redes sociais devem afetar o processo político nos próximos anos?
FERNANDES – Imagine como vai ser a formação de opinião em 2014, com todas essas redes sociais e jovens votantes acostumados com a cultura digital. O impacto será desestruturador para o modelo político em vigência. A classe política que sucederá a atual estará muito mais exposta ao eleitor. Já há políticos hoje tentando se adaptar a essa nova dinâmica.
JC – Como movimentos sociais podem se apropriar das ferramentas sociais e torná-las um veículo para suas reivindicações?
FERNANDES – Os movimentos sociais ainda engatinham nas redes da web. Em Pernambuco, o Sindsaúde usou o Twitter para divulgar o resultado de sua última assembleia. Quer dizer, em breve, nem será preciso marcar uma assembleia. Bastará marcar pelo Twitter e fazer a votação também pela rede de microblogs. Também é possível organizar passeatas e outras manifestações. Mas é algo que os movimentos ainda estão descobrindo. Na verdade, todos ainda tentam entender como as redes funcionam. Todos estão na mesma.